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sexta-feira, março 26, 2010

Purificação

Verter sua cor pelas narinas
Tudo rasga, infame
Rasga e sangue!
Tão frágil que só lamento
A armadura de carne
Cheia de pecado dentro
Amado se prostitui
Amando se prostitui
Nunca a troca equivale
Ao peso do presunto
Verte um desejo que abomina
Cada orgão interno
Parte da escultura
Corrompida
Assim na vida
Como em vida
Como a saliva escorre
De um céu à outro
Silêncio espirito-de-porco
Todo vermelho que verter é pouco
Nem o sacrifício realiza
Limpa a sujeira, torto
Ficando mais sujo ainda

sexta-feira, dezembro 18, 2009

Para ser agradável é preciso...

1)Ter o mínimo conhecimento de sua própria língua. No caso, português. Não há probrema nenhum no mundo, nem mim faz porra alguma, nem a letra “d” entrou no cardápio da quentinha; não 'tá fazenu nem comenu, tão pouco chovenu. E drento é um lugar que não existe.
Não é preciso preciosismo, como passar a conjecturar sobre improbabilidades verbais empregadas no cotidiano. Se você tem vocabulário, não importa que, tipo assim, véi, gírias apareçam em diálogos despreocupados como:

- Mermão, vamos pra balada!
- Já é!
- Oho!
- Fumo!
- Onde? Quedê o bagulho?


Mas usar expressões como essas – supondo – numa entrevista de emprego, uma conversa entre desconhecidos, e PRINCIPALMENTE, numa entrevista esportiva onde você falará sobre SEU trabalho, é um tanto... desnecessário comentar.

- O time vem trabalhanu forte, graça a deus, o técnico 'tá botanu na gente pesado, peganu firme, e a gente nós estamos botanu o pensamento positivo adiante, graça a deus, com passes planejados para mim estar na boca do gol, e botar pra drento.

Ler resolve. Veja menos TV e seja mais sociável!
O que nos pede citar o segundo item...



2)Falar coerente e declaradamente. As poucas pessoas de seu círculo social que compreendem seus grunhidos, não estarão sempre perto para traduzi-los simultaneamente:

- Óia us breguet! Mó forca, fudeu, lombadão norótico!
- O que ele disse?
- Você atropelou um cara.


Não é divertido, nem interessante, quiça agradável, você perder mais tempo em uma conversa tentando entender o que o indivíduo está falando, que propriamente dialogando com ele. O mesmo vale para tentativas de expor suas ideias – contrárias ou não – na internet. Fica a ressalva: não importa a convicção que você tenha de sua opinião, se ela é compartilhada de forma ilegível, com erros absurdos de gramática, e faça mais sentido embaralhada que como foi escrita, ela será motivo de chacota, ridicularizada, e não terá qualquer credibilidade.

- Pos ELE dis oau seus meu Filho, entaum morreu po cousa fiz mal, nansi no pecadu e minha redoensão ficaran sempre, sete veis, cete pragua egipisia, só ELE salva na morti e nas vidas q segi, blasfameredores cairram pra baxo, na morasdia demoica

Pense: opiniões mal ditas podem converter uma pessoa... Ao ateísmo.



3)Ouvir o que seu interlocutor estiver falando. Essa é a máxima da cartilha “ser agradável”. Interações sociais competem trocas e não auto-promoção desenfreada, a enervante espera que a fala do outro te permita falar de você:

- E começou a chover...
- Ah, que incrível! Lá em Pato Branco sempre chove!
- ...


Para entender o contexto de uma conversa, também é indispensável ser um bom e atento ouvinte. Além de demonstrar apreciação por quem e do que se fala, ajuda a formular melhor seus próprios argumentos – sejam estes a favor ou contra – tornando-o também digno de apreciação. São boas conversas que tendem atrair para si pessoas inteligentes e de boa índole, e não pés-de-coelho no zíper da carteira:

- Ganhei de minha falecida tia-avó...
- Oh, e ela faleceu em que circunstância?
- Parada gritando por ajuda para atravessar a rua
.



Obviamente existem outras ações que o tornarão mais agradável no cotidiano, tais como:

a) Não jogar lixo na rua, ou grosseiramente arremessá-lo da janela do carro, arriscando acertar em cheio pedestres, ciclistas, ou o tio que vende refrigerante no engarrafamento - todos sabemos os problemas causados pelo acumulo de lixo, o que torna “fazer show de sua própria estupidez” um dos itens primeiros na lista de ações desagradáveis;

b) Agir com deferência para com pessoas que tenham dificuldades especiais - motoras, mentais, intelectuais - assim como idosos, crianças desacompanhadas, ou com qualquer ser humano que também lhe seja educado;

c) Saber colocar sua opinião, e não esquivar-se com a velha desculpa “sobre religião não se discute, assim como sobre futebol”. Discutir é parte do contexto social, e faz parte do crescimento intelectual. É preciso entender sobre falibilidade das opiniões, e da necessidade de serem testadas. Argumentação, troca de informações, orquestram discussões desde tempos imemoriais, a máxima ideia da inexistência de uma verdade absoluta. Estar aberto a apreender informações, e espalhar as já apreendidas – sem o uso da lança ou da espada para impor seu ideal, como nossos ancestrais faziam - caracteriza evolução. Nada mais agradável que se permitir evolver.


Obs:. Esse texto foi escrito por Jac Vela-Negra e compreende suas opiniões. Foi escrito nos moldes BLOG DE HUMOR - só para testar a possibilidade (faltando apenas as imagens e a hilaridade da coisa). Jac detestou fazê-lo. O PDP volta, em breve, em seu formato convencionado em forma de nada.

segunda-feira, novembro 23, 2009

Sobre um conto criacionista e como Paulo Coelho aparece nele

No paraíso terrestre figura a imbecilidade de um criador, ou – pensei nele agora como um gênio presunçoso – sua divina ironia? Um caos literário, descrito como a criação da humanidade – e me permita parabenizar o autor por conseguir pairar entre o nada e coisa nenhuma, quase uma improbabilidade metafísica (pois não vamos, aqui, excluir nem mesmo um espirito santo, não importa quão inexistente ele seja) – lá naquele livro de narrativas ambíguas chamado bíblia, por onde passei, certo dia, quando escolher entre ler Paulo Coelho e ir a catequese, não estava ao meu alcance.

Li O Alquimista, mais tarde, e o achei tão detentor de sabedoria, quanto aquela passagem do gênesis, que dizia que um senhor (que chamaremos a partir daqui de qualquer nome, menos de deus, para não confundir o leitor incauto, que pode pensar que estamos falando de Zeus, Alá, Thor, ou do cara de rastafári), resolveu, num dia ocioso, criar o homem. O homem. A mulher, pobre coadjuvante, aquela que até hoje sofre uma vida de cólicas e perturbações menstruais, apenas para dado momento ser praticamente rasgada ao meio para trazer-nos ao mundo, nasceu – não se assuste com a criatividade de quem compôs o texto – de uma costela do tal homem imagem-e-semelhança do escultor.

Além desse trecho, e de outros menos relevantes, dos quais não consegui escapar da leitura em voz alta – para a turma de catequizandos da irmã-de-alguém (não minha, decerto) Marisa – nem fingindo amigdalite, não tive a infeliz chance de ler totalmente a bíblia. Falta de tempo, e de cafeína para aplicação direto na veia. Se Paulo Coelho, Mr. Bestseller, fez-me roncar como um porco fastiado da lama, 'magina ela, a rainha das histórias mal contadas!

Mas o que me fez retomar o mais famoso conto criacionista, onde nosso planeta foi, no inicio, um paraíso indolor feito para Adão – o cara com uma costela a menos – e Eva – a coadjuvante – viverem sem pecado – lê-se, sem sexo – sem maldade e esquizofrênicos – ué, eles falavam com animais, não?! Então! - esperando por porcaria alguma e sendo nada mais peças do lindo zoo do criador, foi o despreparo do autor para arregimentar bons personagens numa boa história.

Cheguei a parte que me desconforta: o pecado era descrito como o mal. O mal que tudo vê, e de tudo sabe, e não é o olho de Sauron. Comer da maçã - e a maçã como analogia da fome de conhecimento, ou do mal, porque saber é feio, e vai matar você – seria permitir instalar dentro deles, o que havia de mais pernicioso em seus corpos; o desejo do homem pôr seu pênis na vagina da mulher, e esfregar até o esperma correr para encontrar o óvulo e fecundá-lo, e, bem, os dois gostarem disso.

Momento reflita você mesmo: Se o composer desejava (do fundo de seu coração divino), que suas criações não fizessem “merda” em seu paraíso, porque diabos deu-lhes o mecanismo para? E se o homem foi feito a imagem do escultor, isso significa que, aquele que pôs o homem no paraíso também tem o play, e SABE O QUE FAZER COM ELE, porque, lembremos, foi o próprio composer que criou a cobra - que estava lá de bobeira na macieira – que incentivou a única pessoa que, por mais coadjuvante que fosse nesse conto do Vigário, digo, da criação, foi quem fez a humanidade acontecer. Fala sério, sem ela não teríamos Paulo Coelho. Bem, isso não é realmente algo a se agradecer (óquei, ele não é o pior autor que já li, mas pelo menos é gente boa o suficiente para não me processar. Ponto pra ele).

Para desmistificar a lenda, existe a teoria evolucionista de Darwin, muito menos absurda e épica, mais realista. Ainda assim, para quem gosta do mito criacionista, quem, assim como eu, adora uma história de personagens esquizofrênicos e sexualmente travados, que se libertam das amarras de um pai sádico, e tomam suas vidas para si, ou talvez o possível conto sobre um criador para lá de insano, que fica do alto vendo a ingenuidade dos seres, esperando, ansioso, pelo próximo capitulo. Sim, ele pensa, uma hora a Eva vai sacar as coisas. Bem por isso dei o equipamento fundamental à ela. Pena que no gênesis, o autor não teve essa fabulosa ideia; do escultor criar a loucura antes de tudo, e preencher os espaços vazios com humanos; “e no inicio, era tudo novela mexicana”.

Uhu, nem Paulo Coelho pensou nessa!

segunda-feira, novembro 02, 2009

Sobre Os Contos da Nau da Morte

Começa hoje, uma série de contos, que, agrupados, espera contar sobre um grande mistério desconhecido: como se dão os mistérios.
Os contos são independentes, nunca continuações.
Eu também não entendo o porquê desse adendo, porra.

Por S. MR.S e Jacques Vela-Negra.

sexta-feira, julho 31, 2009

G-zuis, um homem que era só...

Só desgraças. Quando Maria Madalena o encontrou ressuscitado, o supracitado homem ergueu as mãos aos céus, agradecendo a primeira e única graça recebida para si.

Obrigado meu Deus, ele exclamou exaltado, e ela nem mesmo é baranga! Graças, ó, graças!

E Deus, no auge da ironia divina, trovejou para ele: Não, mas é lésbica.


"Isso" é uma obra de ficção. A realidade é menos plauzível.

terça-feira, julho 28, 2009

Pornografia Implícita I - Na Praia

Estava com um dedo médio (ou do meio, como entenda), escavando a gruta úmida, o sol batendo nas costas, o mar cantando com ondas a tarde, o vento fraco assanhando seus cabelos. Ele buscava seu prêmio e metia com aflição cada vez mais fundo. A praia estava cheia, o que tornava sua ação ignóbil: ninguém o via, o percebia. Estava ali, agachado e entretido a quase uma hora

O protetor solar fator 30 logo deixara de fazer efeito, queimando seu lombo.

Então ele sentiu a mordida. Não uma mordida em si, mais como uma picada. Pinçada. Seu dedo saiu vermelho da gruta, combinando com o seu corpo no todo. Praquejou: Caranguejo filhodaputa.